Neve Insular · Neve Insular 0,0003% - algodão e resistência [exposição, seminários e oficinas]

Neve Insular 0,0003% - algodão e resistência [exposição, seminários e oficinas]

Educação Artística, Investigação
Portugal . 2023

Exposição, seminários e oficinas no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa, sobre o algodão enquanto prática artística, ecológica e política.

Como podem o pensamento e as práticas artísticas em torno do algodão, o seu poder histórico, e as suas histórias de resistência provocar diferentes processos de intersecção das forças da arte, ecologia e transformação social num contexto de crises ambientais, cognitivas, políticas e culturais?

O pensamento e prática artística da Neve Insular baseiam-se em 0,0003% da superfície terrestre da ilha de São Vicente, Cabo Verde, onde cultiva algodão e outras espécies em parceria com a Associação Agropecuária do Calhau e Madeiral. Um nada-tudo comprometido com a memória da plantação colonial de algodão e as novas proposições dos saber-fazer ligados à planta do algodão. ni

O Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV) acolheu a programação “Neve Insular 0,0003% - algodão e resistência”, composta por três ações - exposição, seminários e oficinas - projetadas por Neve Insular ni em parceria com o Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (i2ADS). A exposição homónima apresentou o trabalho do coletivo em torno do algodão enquanto prática artística, ecológica e política, cruzando memória da plantação colonial, ecologias de cultivo e novos imaginários para a materialidade da terra e do algodão insular.

Seminário

O seminário reuniu um conjunto de intervenções dedicadas às relações entre algodão, território, história e práticas culturais. Incluiu a palestra Black Bodies, White Gold: Art, Cotton and Commerce in the Atlantic World, por Anna Arabindan-Kesson (Universidade de Princeton, EUA); “Arquivo em branco – cheio de histórias do algodão em Cabo Verde”, por Rita Rainho (i2ADS/FBAUP, PT); “Entre plantas úteis e inúteis — as paisagens quotidianas a partir da botânica colonial”, por Miguel Costa (i2ADS/FBAUP, PT); “Histórias de queijo de Cabo Verde”, por Rosilene Delgado (UTAGA, CV); e “O devir”, por José Paiva (i2ADS/FBAUP, PT), uma reflexão em torno da metáfora de uma Neve Insular que se transforma e derrete sobre terras secas, abrindo possibilidades de fertilidade e imaginação.

Oficinas

As oficinas incluíram uma sessão de transformação de algodão orientada por Rita Rainho [Neve Insular, i2ADS/FBAUP, Portugal], Vanessa Monteiro [Neve Insular, designer, VMD] e Rosilene Delgado [artesã UTAGA, Cabo Verde], promovendo o contacto direto com a matéria-prima e os saberes associados ao seu processamento, entendidos como uma reconexão com a cultura do algodão nas ilhas de Cabo Verde e com a “terra recorda”, onde o algodão se afirma como semente-arquivo atravessando histórias de exploração, trabalho forçado e práticas contemporâneas, no gesto saber-fazer-pensar.

A Conversa daninha “Por uma epistemologia das pragas” — Gabriela Carvalho [i2ADS/FBAUP, Portugal] consistiu numa sessão de partilha e degustação com plantas alimentícias não convencionais, em colaboração com produtoras agroecológicas, promovendo a troca de saberes, memórias e práticas de preparo alimentar.